Maria Firmina dos Reis
Autora · Biblioteca Sapphic

Maria Firmina dos Reis

1822 — 1917

Maria Firmina dos Reis (1822–1917) foi escritora, professora, poeta e musicista brasileira e uma das figuras pioneiras da literatura produzida por mulheres negras no Brasil. Nascida em São Luís do Maranhão, sua trajetória atravessou quase todo o século XIX brasileiro, período marcado pela escravidão, pelo Império, pela campanha abolicionista e, posteriormente, pela implantação da República. Durante muito tempo, sua própria data de nascimento foi registrada de maneir …

3 obras na Biblioteca 1822 — 1917
Clássicos Escritoras
Trajetória

Biografia de Maria Firmina dos Reis

Maria Firmina dos Reis (1822–1917) foi escritora, professora, poeta e musicista brasileira e uma das figuras pioneiras da literatura produzida por mulheres negras no Brasil.

Nascida em São Luís do Maranhão, sua trajetória atravessou quase todo o século XIX brasileiro, período marcado pela escravidão, pelo Império, pela campanha abolicionista e, posteriormente, pela implantação da República. Durante muito tempo, sua própria data de nascimento foi registrada de maneira divergente por pesquisadores. Estudos documentais mais recentes recuperaram um processo no qual a própria Maria Firmina solicitou a retificação de seu nascimento para 11 de março de 1822, data hoje adotada por instituições como a Biblioteca Nacional e a Universidade de São Paulo.

Em 1847, Maria Firmina foi aprovada em concurso público para professora de primeiras letras na região de Guimarães, no Maranhão. O magistério se tornaria uma das atividades centrais de sua vida, paralelamente à literatura, à poesia e à música.

Em 1859 publicou Úrsula, seu romance mais conhecido. A primeira edição apareceu assinada não com seu nome completo, mas como obra de “Uma Maranhense”. O livro ocupa uma posição singular na história literária brasileira por apresentar uma crítica contundente à escravidão e conceder voz, memória e subjetividade a personagens negros escravizados.

Em vez de utilizar personagens escravizados apenas como elementos secundários da narrativa, Úrsula permite que eles contem suas próprias experiências. A violência da escravidão, a separação de famílias e a travessia atlântica aparecem na obra a partir de perspectivas que se destacavam no contexto literário brasileiro daquele período.

Maria Firmina continuou escrevendo. Entre suas obras estão a narrativa Gupeva, publicada inicialmente na década de 1860, o livro de poemas Cantos à beira-mar, de 1871, e o conto abolicionista A Escrava, publicado em 1887, às vésperas da abolição da escravidão no Brasil.

Sua atuação não ficou restrita à literatura. Depois de décadas trabalhando como professora, participou de uma experiência educacional extraordinária para a época: uma escola gratuita e mista, na qual meninos e meninas estudavam juntos. A iniciativa provocou resistência no contexto social do século XIX e teve duração limitada, mas tornou-se um dos episódios mais conhecidos de sua trajetória como educadora.

Outra dimensão menos conhecida de Maria Firmina é sua relação com a música. Além de professora e escritora, produziu composições e participou da vida cultural maranhense, mostrando que sua produção intelectual não se restringia ao romance.

Apesar dessa trajetória, sua obra permaneceu durante décadas afastada de grande parte da história literária brasileira. Úrsula praticamente desapareceu de circulação até ser recuperado por pesquisadores no século XX. A partir daí, sucessivos estudos começaram a reconstruir a dimensão de sua produção literária e de sua atuação intelectual.

Essa redescoberta também revelou como a própria biografia de Maria Firmina ainda estava sendo reconstruída. Datas, documentos e episódios de sua vida foram revistos à medida que pesquisadores localizaram novas fontes em arquivos históricos. Por isso, algumas publicações mais antigas ainda apresentam informações diferentes sobre aspectos de sua trajetória.

Maria Firmina dos Reis morreu em Guimarães, Maranhão, em 11 de novembro de 1917.

Mais de um século depois de sua morte, sua produção ocupa posição crescente nos estudos sobre literatura brasileira, literatura afro-brasileira, autoria feminina e história da escravidão. Úrsula passou a circular novamente em escolas, universidades, pesquisas acadêmicas e novas edições.

Na Biblioteca Sapphic, a presença de Maria Firmina dos Reis integra o trabalho de recuperação e valorização de escritoras cuja importância histórica ultrapassa o espaço que lhes foi reservado durante muito tempo no cânone literário brasileiro. Sua trajetória conecta literatura, educação, autoria feminina e crítica à sociedade escravista do século XIX.
Nota sobre a imagem: a ilustração apresentada nesta página é uma representação artística criada para a Biblioteca Sapphic. Não há fotografia ou retrato autenticado conhecido de Maria Firmina dos Reis.

Biblioteca Sapphic

Obras de Maria Firmina dos Reis

3 obras publicadas
Capa de Úrsula
1859

Úrsula

Romance de Maria Firmina dos Reis publicado em 1859, Úrsula combina uma história de amor trágico com uma crítica pioneira à escravidão, dando voz e memória a personagens negros escravizados no Brasil do século XIX.

Conhecer a obra
Capa de Cantos à beira-mar
1871

Cantos à beira-mar

Publicado em 1871, Cantos à beira-mar reúne a poesia de Maria Firmina dos Reis em versos marcados pelo amor, pela saudade, pela melancolia, pela natureza e pela presença constante do mar.

Conhecer a obra
Capa de A Escrava
1887

A Escrava

Conto abolicionista de Maria Firmina dos Reis publicado em 1887, A Escrava denuncia a violência da escravidão por meio da história de Joana, uma mulher escravizada cuja trajetória é marcada pela perda da liberdade e pela separação de seus f …

Conhecer a obra
Continue explorando

Descubra outras leituras

Explore obras, autoras e temas da Biblioteca Sapphic e encontre novas conexões entre literatura, cultura, identidade e memória.

Explorar a Biblioteca