Maria Benedita Bormann
1853 — 1895
Maria Benedita Bormann (1853–1895), conhecida literariamente pelo pseudônimo Délia, foi romancista, contista, cronista e jornalista brasileira e uma das escritoras que participaram ativamente da vida literária do Rio de Janeiro no final do século XIX. Nascida em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1853, Maria Benedita Câmara de Bormann mudou-se ainda jovem com a família para o Rio de Janeiro, então capital do Império. Foi nesse ambiente que desenvolveu grande par …
Biografia de Maria Benedita Bormann
Maria Benedita Bormann (1853–1895), conhecida literariamente pelo pseudônimo Délia, foi romancista, contista, cronista e jornalista brasileira e uma das escritoras que participaram ativamente da vida literária do Rio de Janeiro no final do século XIX.
Nascida em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1853, Maria Benedita Câmara de Bormann mudou-se ainda jovem com a família para o Rio de Janeiro, então capital do Império. Foi nesse ambiente que desenvolveu grande parte de sua atividade intelectual e literária.
Sua formação ultrapassava aquilo que normalmente se esperava da educação feminina naquele período. Teve contato com línguas estrangeiras, literatura, música e artes, interesses que posteriormente apareceriam de diferentes maneiras em sua produção intelectual.
Na literatura e na imprensa adotou o pseudônimo Délia. A utilização de pseudônimos por escritoras não era incomum no século XIX, quando mulheres que desejavam participar publicamente do mundo das letras ainda enfrentavam fortes restrições sociais e preconceitos.
Maria Benedita participou intensamente da imprensa carioca. Colaborou com periódicos como O Cruzeiro e Gazeta da Tarde e construiu uma produção que incluía romances, contos, crônicas e textos publicados em jornais.
Entre suas obras estão Aurélia, Uma Vítima, Lésbia, Celeste e Angelina.
Seu romance mais conhecido atualmente é Lésbia, publicado em 1890.
A protagonista do romance, Arabela, enfrenta um casamento marcado por violência e humilhações e posteriormente procura reconstruir sua vida por meio do estudo e da escrita. Ao tornar-se escritora, passa a utilizar justamente o pseudônimo Lésbia.
Essa escolha permitiu a Maria Benedita discutir dentro da própria ficção uma questão que conhecia diretamente: as dificuldades encontradas por uma mulher que desejava ocupar espaço no ambiente literário brasileiro.
O romance aborda independência feminina, casamento, violência doméstica, educação das mulheres, sexualidade e os obstáculos impostos às escritoras em um meio intelectual predominantemente masculino.
Pesquisas acadêmicas contemporâneas têm chamado atenção para outra característica de Lésbia: o romance acompanha não apenas a vida sentimental de sua protagonista, mas também sua formação e profissionalização como escritora. Dessa maneira, literatura e autoria feminina tornam-se parte do próprio enredo.
Há uma interessante relação entre autora e personagem. Maria Benedita publicava como Délia; sua protagonista, ao ingressar no mundo das letras, também assume um nome literário: Lésbia. A experiência de construir uma identidade pública como escritora torna-se, portanto, um dos elementos centrais da narrativa.
Durante muito tempo, entretanto, Maria Benedita Bormann permaneceu pouco presente nas histórias mais conhecidas da literatura brasileira. Pesquisas sobre escritoras brasileiras do século XIX contribuíram para recuperar sua produção e recolocá-la em circulação.
Essa recuperação continua atualmente. Lésbia voltou a receber estudos acadêmicos e novas edições, permitindo que uma obra publicada no final do século XIX encontre novas gerações de leitoras.
Maria Benedita Bormann morreu no Rio de Janeiro em 1895, aos 41 anos.
Na Biblioteca Sapphic, recuperar Maria Benedita Bormann significa ampliar o espaço dedicado às escritoras brasileiras do século XIX e apresentar uma autora que colocou independência, criação intelectual, relações afetivas e os limites impostos às mulheres no centro de sua literatura.
Obras de Maria Benedita Bormann
2 obras publicadas
Celeste
Romance de Maria Benedita Bormann, publicado sob o pseudônimo Délia em 1893. Celeste aborda casamento, violência conjugal, desejo e autonomia feminina no Brasil do final do século XIX.
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