Capa de A Árvore, de Júlia Lopes de Almeida
Literatura · Biblioteca Sapphic

A Árvore

Por Júlia Lopes de Almeida

Publicado em 1916, A Árvore é uma obra de Júlia Lopes de Almeida escrita em colaboração com seu filho, o poeta Afonso Lopes de Almeida. Reunindo diferentes formas de escrita em torno das árvores e da natureza, o livro associa literatura, educação e uma preocupação ambiental que chama atenção mais de um século depois.

1916 Original em   Português Domínio público

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Guia de leitura

Sobre A Árvore

Publicado em 1916, A Árvore é uma obra escrita por Júlia Lopes de Almeida em colaboração com seu filho, Afonso Lopes de Almeida. O livro reúne diferentes formas literárias em torno de um mesmo elemento: a árvore e sua presença na vida humana.

A obra combina literatura, educação e observação da natureza. Em suas páginas, as árvores aparecem não apenas como elementos da paisagem, mas como organismos fundamentais para a vida, para a proteção do ambiente e para a relação das pessoas com o espaço em que vivem.

Júlia Lopes de Almeida já demonstrava interesse por jardins, agricultura, educação e organização dos espaços domésticos e urbanos em outros momentos de sua produção. Em A Árvore, essas preocupações ganham uma dimensão especialmente clara.

A colaboração com Afonso Lopes de Almeida amplia a diversidade do volume, que reúne textos de diferentes características e inclui contribuições poéticas do filho da escritora.

Publicado pela Livraria Francisco Alves em 1916, o livro também esteve relacionado ao universo educacional brasileiro, inserindo a valorização das árvores em uma proposta de formação de leitores e estudantes.

Vista mais de um século depois, a obra chama atenção pela maneira como aproxima literatura e consciência sobre a natureza muito antes de expressões como sustentabilidade e educação ambiental se tornarem comuns.

Na Biblioteca Sapphic, A Árvore também permite conhecer outra dimensão da produção de Júlia Lopes de Almeida: uma escritora que não se limitou ao romance e utilizou diferentes formas de escrita para discutir educação, sociedade, cotidiano e relação com o mundo natural.

Biblioteca Sapphic

Na Biblioteca Sapphic

Por que A Árvore merece ser redescoberta?

Porque é surpreendente encontrar, em um livro brasileiro publicado em 1916, uma preocupação tão evidente com a relação entre seres humanos, árvores, educação e natureza.

A Árvore mostra uma Júlia Lopes de Almeida diferente daquela que encontramos em romances como A Falência, A Intrusa ou A Viúva Simões.

Aqui, a natureza ocupa o centro do livro.

Mas a árvore não aparece apenas como decoração da paisagem.

Ela oferece sombra, alimento e abrigo, transforma os espaços onde as pessoas vivem e estabelece uma ligação entre diferentes gerações.

Essa perspectiva faz com que a leitura adquira hoje uma dimensão particularmente interessante.

Termos contemporâneos como sustentabilidade, consciência ecológica e educação ambiental ainda não faziam parte do vocabulário cotidiano de 1916, mas várias das preocupações associadas atualmente a esses conceitos já podem ser reconhecidas na proposta da obra.

Há ainda outra particularidade importante.

A Árvore nasceu da colaboração entre Júlia Lopes de Almeida e seu filho, Afonso Lopes de Almeida.

A presença dos dois autores transforma o volume em um encontro entre gerações e também entre diferentes formas de expressão literária.

O livro possui ainda uma dimensão educativa.

Sua circulação esteve relacionada ao ambiente escolar, mostrando que literatura e formação poderiam caminhar juntas na tentativa de desenvolver uma relação diferente entre crianças, sociedade e natureza.

Esse contexto torna A Árvore especialmente valiosa dentro da Biblioteca Sapphic.

Recuperá-la não significa apenas preservar mais um título de Júlia Lopes de Almeida.

Significa revelar a amplitude de uma escritora que transitou pelo romance, conto, crônica, literatura infantil, educação e reflexão sobre a natureza.

Mais de cem anos depois, a pergunta que atravessa o livro permanece atual:

que lugar queremos reservar às árvores no mundo em que vivemos?

Autora

Quem foi Júlia Lopes de Almeida?

1862 — 1934

Júlia Lopes de Almeida (1862–1934) foi uma escritora, jornalista, cronista e dramaturga brasileira, considerada uma das vozes femininas de maior destaque na literatura brasileira da passagem do século XIX para o XX.

Nascida no Rio de Janeiro em 24 de setembro de 1862, Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida construiu uma carreira literária extensa em uma época em que a presença feminina nos círculos intelectuais ainda enfrentava fortes barreiras. Escreveu romances, contos, crônicas, teatro, literatura infantil e livros voltados à educação, além de colaborar regularmente com jornais e revistas.

Sua trajetória também se destacou pelo envolvimento com questões sociais. Júlia defendeu a educação das mulheres, discutiu o divórcio e posicionou-se contra a escravidão. Colaborou com periódicos produzidos ou dirigidos por mulheres, como A Mensageira, e também publicou em veículos de grande circulação.

Entre suas obras estão A Família Medeiros, A Viúva Simões, A Falência, Eles e Elas, Correio da Roça, A Silveirinha e Histórias da Nossa Terra. Sua produção permite observar transformações da sociedade brasileira, as relações familiares, a educação e especialmente os espaços reservados às mulheres naquele período.

Uma das passagens mais marcantes de sua trajetória está relacionada à criação da Academia Brasileira de Letras. Júlia esteve entre os escritores ligados às articulações que antecederam a fundação da instituição, mas não se tornou integrante do grupo fundador. A Academia, organizada com 40 cadeiras e inspirada na Académie Française, não admitiu mulheres naquele momento. Seu marido, o poeta e jornalista Filinto de Almeida, tornou-se fundador da Cadeira nº 3.

Décadas depois, esse episódio tornou-se parte importante da recuperação histórica de sua trajetória. Em 2017, a própria Academia Brasileira de Letras dedicou a Júlia Lopes de Almeida uma conferência do ciclo “Cadeira 41”, criado para discutir autores que poderiam ter ocupado uma das quarenta cadeiras da instituição.

Júlia também foi pioneira em diferentes áreas. Produziu literatura infantil ainda no século XIX, manteve longa atividade jornalística e participou ativamente do debate intelectual brasileiro. Sua casa e seu círculo familiar também estavam profundamente ligados às letras: era casada com Filinto de Almeida e desenvolveu parte de sua produção em um ambiente de intensa circulação literária.

Depois de períodos de menor presença nos cânones e manuais literários, sua obra voltou a receber crescente atenção de pesquisadores, universidades e instituições culturais. Hoje, livros como A Falência são novamente estudados e publicados, enquanto documentos preservados em arquivos e bibliotecas ajudam a reconstruir a dimensão de sua participação na vida intelectual brasileira.

Na Biblioteca Sapphic, recuperar Júlia Lopes de Almeida significa também abrir espaço para uma escritora que construiu uma carreira profissional em um ambiente literário predominantemente masculino e que colocou questões relacionadas à educação e à condição social das mulheres no centro de parte importante de sua atuação pública.